quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ontem foi Dia de Recordar o Holocausto


E eu queria ter feito este post ontem, mas o blog.com mais uma vez não colaborou e estava em baixo…
É que no Dia de Recordar o Holocausto, fiquei a conhecer uma nova perspectiva sobre este… fiquei a conhecer Rosenstrasse:
Mulheres alemãs casadas com judeus desafiaram os nazis em 1943, no único protesto público em terras alemãs contra a deportação de judeus.
Venceram.
Este acontecimento traz uma nova perspectiva sobre a responsabilidade do público em geral pelo holocausto… pois se o único protesto público levado a cabo por alemães conseguiu o seu propósito, que teria acontecido se todos os alemãs se tivessem unido contra esta injustiça? E os países circundantes? E o mundo?
Até 1943, os judeus em casamentos mistos – normalmente homens judeus casados com mulheres alemãs – estavam livres da deportação, no entanto, nesse ano, a Gestapo levou a cabo uma operação que se destinava a “limpar” definitivamente a alemanhã de judeus, e então também os judeus casados com mulheres alemãs foram detidos e colocados num centro pré-deportação, enquanto aguardavam a sua deportação para os campos.  Ficaram detidos no bairro Rosenstrasse.
As mulheres alemãs rapidamente descobriram para onde tinham sido levados os maridos e começaram a reuni-se junto ao bairro. Em breve gritavam a uma só voz “Devolvam-nos os nossos maridos!”. Às 600 do primeiro dia foram-se juntando outras, chegaram a ser 6000 as mulheres que ao longo de uma semana desafiaram os nazis pedindo que libertassem os seus maridos. De todas as vezes, a polícia ameaçava abrir fogo sobre elas, mas elas mantiveram-se, dia após dia, sem combinação prévia, sindicato ou liderança, movidas apenas pela vontade de ter os seus maridos de volta. É difícil de imaginar, no terror que se vivia na Alemanha nessa época, algo mais difícil do que confrontar directamente a Gestapo, em frente às suas instalações! Mas às primeiras ameaças de tiros, as mulheres perderam o medo, e, pensando que já nada interessava, pensando que a Gestapo agora ia abrir fogo fizessem o que fizessem, aumentaram os protestos e gritaram “assassinos! assassinos!” “Devolvam-nos os nossos maridos!”.
Joseph Goebbels, na altura ministro da propaganda e líder do partido nazy em Berlim, escreveu no seu diário sobre estes protestos: “Têm havido cenas desagradáveis. Pessoas que se juntam em grandes grupos e até tomam partido pelos Judeus!”. Incrivelmente, após uma semana apenas de protestos em Rosenstrasse, Goebbels deu ordem para que os judeus casados com mulheres alemãs fossem libertados. Cerca de 2000 judeus regressaram às suas casas e sobreviveram ao holocausto. Mesmo 25 judeus que já tinham sido enviados para os campos voltaram para casa. Um dos assistentes de Goebbels disse mais tarde que este deu a ordem de libertação dos judeus de maneira a eliminar os protestos, para que outros não agissem da mesma maneira. As mulheres alemãs não foram presas e nem elas nem as suas famílias sofreram quaisquer represálias, de maneira a que os seus familiares alemães não começassem também protestos contra o regime nazi.
As mulheres juntavam-se em Rosenstrasse todos os dias antes do trabalho e quando regressavam deste, sem liderança, organização ou outra motivação que não a motivação individual de salvar o seu marido. E conseguiram.
No final da guerra, 98% dos judeus sobreviventes na Alemanha estavam casados com mulheres alemãs.
Um exemplo tão simples de que sim, na Alemanha Nazi o povo poderia ter levantado a voz e minorizado a injustiça. Tal como no mundo de hoje: quem cala, consente.
E estas mulheres, movidas por uma causa maior não calaram, não consentiram, e venceram. Puderam viver com os seus maridos o resto dos seus dias.
Uma lição de vida.
(traduzido e adaptado livremente daqui: http://www.chambon.org/rosenstrasse_en.htm)

Sem comentários: